terça-feira, 3 de março de 2009
PERSONAGEM
A arte dramatiza. A arte também é cômica. A personagem nasce no ser, que nunca soube ser. A platéia delimita o roteiro e para ser atendida é contemplada com a arte que se apresenta em forma de vida. São anos percorridos em um personagem que se pensa existir. O seu exterior é convivido numa realidade de cenas que se sobrepõem. Acredita-se ser possível viver assim. Em ritmo de trabalho, de família, de homem, de mulher, de filhos, de esperanças. As realizações se tornam atos efêmeros e sua sustentação impiedosa. Não há como obter aplausos no seu interior. As salvas de palmas são externas, assim como sua beleza. O coração não ri e seu semblante é triste. Encontrar sua personagem é abdicar o fingir, o interpretar, o parecer ser, o engano e buscar a vontade, o desejo, o poder ser, o concluir. Esperar não muito e apressar-se já, sem mesmo esperar o próximo sol se pondo. A comicidade transparente vibra em vida para ser. Ser o ser que sempre se quis ser. Ser agora. Ser sempre. O coração entorna a alegria, o clamor expande e a personagem cresce. A platéia se retira e novo ato se espelha em direção ao tempo que ainda não viveu. É um tempo muito bom. Tem sabores, calores e amores. Amores, calores e sabores, frutos de novas experiências, de uma nova personagem real. Fruto da descoberta contida, agora incontida, aparente, transparente. Só o ator conhecia. Sabia que existia e resistia. Resistia sob olhares vorazes que não permitiam melhor atuação. Abre portas, estradas, caminhos, dignidade, honestidade e vida. Personagem??? Qual é o seu? O show vai começar, sorria!!! O primeiro movimento é o da cortina, as luzes começam a colorir a cena e o próximo ato é o seu. Aplausos. Agora você vive.
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